Isso pode ser chamado de "desapego" ou, talvez, "libertar-se da fixação". Aqui, a consciência a que nos referimos é o Atman ou o Brahman. De acordo com o Vedanta, ela permeia todo este mundo e, naturalmente, também está presente na matéria.
O Atman, que é essa consciência inseparável da matéria, literalmente não pode ser separado. No entanto, o que se entende por "libertar-se dessa ligação" é libertar o ego da ligação com a matéria, o que, no Vedanta, é chamado de "avidyā" (ignorância), e, no budismo, é a eliminação da ignorância.
Isso pode ser interpretado como libertar o ego da ligação com a matéria, e, ao mesmo tempo, como a manifestação da consciência do Atman, que é inerentemente separada e livre. É frequentemente dito no budismo, no espiritualismo e no Vedanta que a consciência do Atman está obscurecida pela "avidyā" (ignorância) na maioria das pessoas. No entanto, na realidade, em vez de estar obscurecida, essa "avidyā" está mais ligada.
Enquanto o budismo descreve isso como uma "obscuração", o Vedanta e o espiritualismo oferecem explicações que abrangem ambos os aspectos, mas enfatizam mais a separação ou o desapego da ligação.
Na realidade, a ligação parece ser a descrição mais precisa. Certamente, pode parecer que está obscurecida, mas, na verdade, é uma ligação.
Este mundo parece ser um mundo material, mas é porque a consciência do Atman permeia este mundo, está profundamente conectada à matéria, e é através dessa conexão do Atman com a matéria que surge a consciência do "eu" (ego, consciência de Jiva), que, na verdade, não existe. Como resultado, o Jiva reconhece (equivocadamente) este mundo material como real.
Por outro lado, para a consciência do Atman, este mundo existe desde o princípio; é um mundo universal que não nasceu nem desaparecerá. A consciência do Atman está inerentemente presente na matéria, mas é mais livre do que a consciência do Jiva.
Quando a consciência do Jiva se liberta ou se desapega dessa ligação com o mundo, que é uma ilusão, a consciência do Atman se manifesta e se torna livre. Isso é o que o Vedanta chama de "moksha" (liberdade).