Ao refletir sobre os últimos meses, percebi que o que chamamos de "magia" corresponde a uma catarse (purificação), que é algo inevitável e, fundamentalmente, um estado desejável.
No budismo, muitas vezes o "magia" é tratado como algo a ser evitado, mas talvez seja mais importante enfrentar isso de forma assertiva e passar por ele o mais rápido possível. Em algumas escolas de yoga, também se evita o "magia", considerando-o algo a ser temido, enquanto outras escolas, mesmo dentro do mesmo budismo ou yoga, o consideram algo essencial para enfrentar de forma assertiva.
Parece que a escola Zen tende a evitar o "magia", mas ainda assim, existe a ideia de que o "magia" é inevitável. Em algumas escolas de yoga, há a afirmação de que é preciso passar pela fase inconsciente do chakra Swadhisthana sob a orientação de um professor experiente, o que implica que o "magia" é inevitável e que esse processo deve ser afirmado.
O que penso agora é que a palavra "magia" pode levar a muitos mal-entendidos, e talvez seja mais fácil de entender se a interpretarmos como uma catarse (purificação), como Aristóteles descreveu.
Nesse contexto, outras escolas também têm estágios semelhantes. Por exemplo, na Companhia de Jesus, há um processo de oração que dura várias semanas, chamado "exorcismo", no qual se tenta superar essa fase. Algumas escolas preparam estruturas cerimoniais e de treinamento, mas isso nem sempre é algo que pode ser superado em algumas semanas; para algumas pessoas, pode levar meses.
Em alguns casos, muitas pessoas permanecem nesse estágio por anos.
Aristóteles escreveu na "Poética", capítulo 6, que a tragédia "desperta a compaixão e o medo, e realiza a catarse (purificação) das emoções". (Fonte: "O Fascínio das Artes Cênicas", página 238). Embora seja uma explicação sobre a tragédia, essa mesma ideia pode ser aplicada ao "magia". Podemos entender que o "magia" é uma forma de realizar a catarse (purificação) das emoções através da compaixão e do medo, em relação às tragédias da vida.
O "magia" é uma experiência muito emocional, que envolve tanto o medo quanto a compaixão. Pode ser comparado a um retorno temporário da adolescência, em que o corpo emocional é ativado, a pessoa se torna mais sensível e, ao mesmo tempo, experimenta medo e alegria. Acho que é mais apropriado descrever isso como uma catarse (purificação) do que como "magia".
Portanto, em vez de evitar o "magia", é importante considerá-lo como uma catarse (purificação) e, a partir daí, adotar uma postura que permita superar as tragédias da vida com a intensidade das emoções.